Avós nosso porto seguro

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Mãe de Adolescente

Avós nosso porto seguro

Avós ou avôs são nossas mães e nossos pais duas vezes, assim dizia um amigo meu. Sorte a nossa de ter um amor infinito assim de graça. Eles sempre têm tempo para nós e sempre estão dispostos a nos ajudar e a nos ensinar. Eles nos mimam, brigam conosco quando necessário, enche a nossa barriga de comida, e nos encoraja a viver. Presente de Deus para nós, e é uma pena que não são eternos, bem que poderiam ser. Mas eles passam pela nossa vida e deixam marcas no nosso coração pra sempre.
Quero contar a vocês quem foi minha avó, especificamente minha avó paterna, a qual sempre fui muito ligada e que me deu um amor indescritível. Seu nome era Dorcas, mulher guerreira, de fé, que teve um único filho que é meu pai. Conheci minha avó (conta minha mãe) quando tinha meses de vida, acho que foi neste dia que fizemos uma aliança de avó e neta. A partir daí, criei um vínculo com minha avó de amizade, de fidelidade que prometemos uma a outra nunca mentir. Cresci sempre ao lado dela e juntas fizemos infinitas coisas, passávamos horas conversando sobre todos os assuntos possíveis, que parecíamos melhores amigas do que avó e neta. Ela tinha uma cabeça de avó moderna e eu tinha total liberdade de contar tudo a ela. Estranho né? Muitas amigas minhas dizem que suas avós são bem reservadas e conservadoras, mas a minha era uma avó do século 21.
Eu sempre passava os finais de semana com minha avó, chegando à sua casa, ela estava sempre arrumada e perfumada com seu batom vermelho que era a sua marca. Vaidosa como sempre foi, vivia se embonecando pra lá e pra cá. Ela estava sempre linda! Com sua calça jeans de cintura alta para destacar a silhueta (sim minha vó tinha cinturinha), e sua blusinha toda moderninha. Ela sempre me esperava no jardim molhando as plantas ou estava sentadinha tomando sol, nem parecia que tinha problemas de visão. Nunca reclamava da vida, estava sempre sorrindo, e nos recebia com aquele abraço que aquecia a alma. Tinha um coração de ouro, estava sempre disposta a dar o melhor conselho e era querida por toda vizinhança. Adorava presentear as pessoas, seja familiares, um desconhecido do ônibus, ou o neto de um amigo seu. Cozinhava que era uma beleza, chegava magra e saia gorda da casa de tantos doces e comida. E tinha uma coisa que eu amava fazer, que era deitar no seu colo e ela mexer no meu cabelo. Me sentia mais do que segura, sentia o amor transmitido através do seu carinho.
No ano passado ela se foi, faz um ano exatamente, deixou marcas, exemplos, força e a ausência. Perdi minha melhor amiga temporariamente e não digo que tem sido fácil, quem já perdeu alguém sabe como é ter uma cicatriz que não sara nunca. Mas guardo o que ela deixou de melhor, suas lembranças, suas broncas, sua forma de enxergar a vida e tudo que ela me ensinou nestes 25 anos. Sempre que vem alguma situação difícil, lembro-me dos conselhos que ela me dava e que me ajudam a prosseguir. O que tenho a dizer a você que ainda tem seus avós por perto mostre o quanto eles são importante na sua vida, porque amor eles te darão de sobra, saiba retribuir valorizando tudo que eles fazem por você. Quando eles se forem você sentira a falta do porto seguro que eles são. Então, ame-os, respeite-os, doem um tempo para ficar com eles, conversem também! Eles terão infinitas histórias e experiências para contar que vocês guardarão pelo resto da sua vida. Assim como suas experiências são eternizadas em nós, eles estarão também vivos dentro da nossa memória e do nosso coração.

Nascida em São Paulo (SP). É publicitária e ama escrever. Suas outras paixões são a música e pilates. Romântica desde sempre, acredita que o amor verdadeiro ainda existe e que o dia pode ser melhor se você acordar e abrir um sorriso.

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