Boomerang

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Mãe de Adolescente

Te reencontrar mexeu comigo e assumo. Quando te vi de longe, achei que estava tendo uma miragem, que era coisa da minha cabeça e não fazia sentido algum, você estar ali. Me enganei por alguns segundos e comecei a acreditar na ideia de que não era você.

No fundo, alguma coisa me dizia que ira te encontrar aquele dia, porque depois de meses sem pensar em você, bateu aquela saudade, algumas horas antes.

Não era possível que estivesse no mesmo lugar que eu, quando tive a certeza que era você, chegou a me faltar o ar. Não sabia se saia dali correndo, ou continuava onde estava, só queria me tele transportar para qualquer lugar longe dali.

Minhas pernas não estavam correspondendo, elas tremiam e eu tentava respirar fundo, pois meu coração estava a milhão e faltava o oxigênio, começou a me sufocar.

Minhas ideias estavam embaralhadas e eu não conseguia pensar em mais nada, a não ser em você que estava vindo em minha direção.

O tempo tinha parado e eu conseguia ouvir meus batimentos cardíacos um por um.
Entrei no ônibus de viagem, tentando pensar em qualquer solução ou qualquer forma de não te olhar . Sentei no banco e fingi que estava dormindo, essa foi à única forma que encontrei de não te olhar nos olhos, eu fui covarde não tive essa coragem.

O típico truque do “não quero falar com ninguém” até que funcionou bem, ou momentaneamente, até porque quem me conhece bem, sabe que sou péssima em fingir algo.

A intensidade das coisas sempre me fez ser transparente e verdadeira, com certeza você percebeu que eu estava fingindo, para não precisar te olhar nos olhos.

Ouvi apenas o som da catraca rodando e senti o teu cheiro no ar.

Quando já não ouvi nenhum som, abri os olhos e começou a bater a tristeza.

A tristeza que parecia que estava vindo de você. Eu não sei explicar, mas meu coração doía. Era como se estivesse de luto.

Foi à viagem mais longa da minha vida! EU não sabia se dormia, se virava, se chorava, se descia no próximo ponto. Eu só sei que não queria te olhar! De qualquer forma, eu teria que me virar uma hora para descer e com certeza eu teria que olhar para você.

Que tristeza! Estava me sufocando, já não aguentava aquela viagem.

Enfim, avistei na janela que estávamos chegando e eu falei “Deus, me ajuda! Eu não vou conseguir descer”.

Mas não tinha outro jeito, chegou a hora de descer. Coloquei a mochila nas costas, a outra mala no braço e respirei fundo. Levantei e o vi, de cabeça baixa, como se estivesse fazendo algo no celular. E eu sei que na verdade você não estava fazendo nada e que finge tão mal quanto eu.

Desci do ônibus e meu coração estava na mão. Só que eu tinha que continuar fingindo que não tinha acontecido nada, tinha que ser forte.

Chegando em casa, me perguntei porque eu voltei pra este lugar? Eu não queria ter o visto. Era como se eu sentisse tudo em dobro, estava doendo demais!

Chorei por algum tempo, até que caiu minha ficha, falta um pedaço teu aqui.

Desesperadamente eu sei, sempre vai ser você.

Por mais que eu tente te esquecer, memórias vêm me enlouquecer.

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Imagem: devaneiosdalila.blogspot.com

Mesmo que eu ande sem direção, estou esperando você voltar.

Nascida em São Paulo (SP). É publicitária e ama escrever. Suas outras paixões são a música e pilates. Romântica desde sempre, acredita que o amor verdadeiro ainda existe e que o dia pode ser melhor se você acordar e abrir um sorriso.

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