Consideração: o jardim que cultivamos

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Consideração nem sempre valerá a pena, mas quando valer cultive-a, seja próximo, não permita que a distância estrangule-a

Esses dias estive pensando… Quantas e quantas pessoas já não se sentiram desprestigiadas por mim, mesmo depois de muito esforço em serem notadas ou se aproximar? E isso não é algo pelo qual eu deveria me sentir culpada?

Culpada, não. Mas talvez devesse observar melhor meus pontos de vista e, claro, essas pessoas e perceber que assim como elas, também me dedico a alguém (éns) que nunca retribuirão da mesma forma. 

Quantas vezes fiz questão de ajudar ativamente alguém, de participar, de estar ao lado, de demonstrar afeto publicamente e jamais tive qualquer ato de reciprocidade? Não que eu tivesse feito tudo à espera disso, mas não posso negar: o fiz esperando que isso surtisse ao menos algum efeito, é óbvio.  Provavelmente o da aproximação verdadeira, o efeito do reconhecimento pela dedicação, etc. 

Talvez por conta disso eu tenha me tornado um tanto descrente e até distante das pessoas. Sempre tive muitos amigos. E não, não sou do tipo que considera amigo só meia dúzia, porque por mim eu seria amiga próxima de 6,5 bilhões de pessoas. Os outros 0,5 bilhão eu presumo não serem pessoas com quem eu iria querer nem cruzar a rua, porque também não sou santa.

Mas sinto falta, muitas vezes, de fazer parte de um grupo de pessoas que se escolheram como especiais para si, por exemplo. Percebo que, no fim das contas, eu sou a que se encaixa em todos os grupos, entra e sai de boas, sem se envolver nos problemas, mas não faço parte de nenhum.

Alguns porque eu evito mesmo fazer parte, a fim de evitar fofocas problemas e outros, os que eu queria mesmo integrar, porque nunca fizeram questão de mim.

E eu sempre achei que era porque eu tinha alguma falha de personalidade ou algo, mas ao conversar  com uma amiga em tom de desabafo, ela me disse: “Thatu, você evita estar nos lugares. As pessoas vão se aproximando umas às outras enquanto partilham de momentos os quais você, mesmo sendo convidada, raramente vai”.

E parei para pensar: ela estava certa.No fundo, eu sempre escolho estar só, porque ninguém é obrigado a insistir em conviver comigo. Ninguém é obrigado a implorar que eu vá (e olha que já me fizeram isso), então a falha sempre foi minha. Ou eu mudo isso ou eu me conformo em viver assim, convivendo bem, mas sem nunca fazer parte de fato.

Em minha defesa: tenho tanto medo de incomodar que evito ir sempre. E se eu já fui algumas vezes à sua casa, acredite, é porque realmente gosto de você! E pode perguntar por aí: eu raramente vou à casa de alguém.

Se bem que isso eu quero mudar. Quero acabar com o “vamos marcar” e praticar mais do “Oi, cheguei. Estou na portaria e vim ajudar a preparar o jantar”.

Romântica, mas de um jeito nada romântico. Escrever é como construir uma colcha de retalhos: vou juntando pedaços de histórias, sentimentos e pensamentos meus, seus, de outras pessoas. E a cada vez que você me lê, me cita e me compartilha, enche meu coração de alegria e mostra para alguém um pouco mais de você, de mim e, claro, dela mesma.

Amo escrever, mas amo mais ainda ser lida. ♥

Mãe de Adolescente

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