Das marcas e manchas que a vida me deu

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Mãe de Adolescente

A vida é implacável. Cada escolha, cada ação, deixa suas marcas e manchas.

As marcas geralmente são aquelas que temos orgulho, pelas quais nunca mais nos esqueceremos das histórias e as manchas, aquelas que mesmo que as histórias tenham sido ótimas, inesquecíveis e cheias de orgulho, gostaríamos que não ficassem estampadas em nossa pele. Ao menos, não em forma de manchas…

Por exemplo: tive por anos uma cicatriz no tornozelo, que adquiri pulando elástico na terceira série. E onde eu ia, mostrava a cicatriz e contava, com orgulho, que a adquiri enquanto brincava com amigas e um menino passou correndo enroscando-se ao elástico, que entrou em minha carne. Doeu muito, ficou feia a cicatriz, mas era parte do meu “acervo de marcas orgulhosas”.

Já, as manchas do meu rosto, que foram chegando por vários motivos: idade, sol, gravidez, incidentes, descuidos, etc e cada uma tem lá suas histórias, boas e ruins, mas que eu gostaria de me lembrar sem que meu rosto estampasse esse cansaço, esse desgaste…

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Por exemplo: as manchas de gravidez, em sua maioria, são boas histórias e das quais nunca vou esquecer, mas elas já tem sua marca, seu triunfo ali, estampado no sorriso da filha que veio daquela gravidez. Então as manchas são completamente descartáveis, são incômodas e acabam com minha autoestima.

Claro que uma boa maquiagem disfarça bem, mas não apaga a tristeza de lembrar o quanto aquilo me faz ter vergonha ou me sentir feia, acabada…

E por que estou falando disso?

Porque sei quantas e quantas mulheres sentem o mesmo e pelo mesmíssimo motivo.

Quantas de nós já não tentou de tudo? Soluções caseiras, simpatias, dicas do farmacêutico, da manicure, do bêbado, dermatologista e, mesmo assim, ainda temos este olhar cansado, desgastado e que nem nós perdoamos, quanto mais as pessoas a nossa volta?

Outro dia, fui conhecer uma tia do meu marido e ela é linda! E aí, invetamos de tirar fotos. Quão mal me senti ao ver aquelas fotos postadas no Facebook? Sim! Foi um momento inesquecível, um dia memorável, delicioso, mas me saí tão horrível nas fotos (pois é, além das manchas não sou nadinha fotogênica) que me senti humilhada. E sei (pior que nós todas sabemos) que cada um que olhou para aquelas fotos pouco se importaram com o que aquele momento possa ter significado pra cada um de nós, mas repararam bem em como eu estava horrível…

E para piorar tudo, meu marido além de mais novo, é lindo. Então, imaginem vocês o contraste?

Engraçado: nunca fui vaidosa. Para vocês terem ideia, a primeira vez que me maquiei para sair (de usar algo além de lápis e rímel) foi em 2012 (aos 32 anos). Até ali, jamais havia passado um pó, uma base, nada. E nem achava que precisasse, porque foi em 2011, depois que tomei um sol escaldante numa praia de Ilha Cumprida que minha pele evidenciou de vez as suas marcas.

Hoje ensaio 10 mil vezes para sair de casa e muito disso é por causa de como me sinto. E sei que muitas mulheres que estão lendo, se sentem igual ou até pior.

E para quem não se sente, que isto ao menos sirva para entender melhor, porque é algo tão doloroso que só nós sabemos.

A mudança

Eu hoje resolvi me expor, tanto com fotos que mostram e evidenciam as manchas, como falando abertamente disso, porque estou ME propondo uma mudança. Uma busca por eliminar aquilo que me prende neste casulo, aquilo que me faz sentir insegura diante do mundo e queria convidar mais gente para vir comigo.

O primeiro passo vai ser simples. Vamos começar a caminhar todo dia e melhorar a alimentação.

Eu vou caminhar todo dia as 6h00 porque é um horário que já tenho que acordar por causa da escola da filha e assim não atrapalha o resto do meu dia.

Quanto à alimentação, depois que parei de fumar (2 anos atrás) tenho comido demais e pretendo diminuir a quantidade e aliar também alguns vegetais e frutas que havia abandonado de comer, como também tomar mais água todo dia (não tomo água nunca).

Se quiser vir conosco nesta jornada, fique atenta, pois em breve vou começar a postar vídeos e fotos do andamento do processo e pretendo, aos poucos, ir atrelando outras coisas neste que vamos chamar de “tratamento da autoestima”.

Então olhem bem pra estas fotos, estas manchas e guardem bem esta postagem, porque ela será o pontapé inicial de muitas e, espero, cada vez melhores.

Romântica, mas de um jeito nada romântico. Escrever é como construir uma colcha de retalhos: vou juntando pedaços de histórias, sentimentos e pensamentos meus, seus, de outras pessoas. E a cada vez que você me lê, me cita e me compartilha, enche meu coração de alegria e mostra para alguém um pouco mais de você, de mim e, claro, dela mesma.

Amo escrever, mas amo mais ainda ser lida. ♥

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