Desisti

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 “Ainda sou apaixonada, sim. Mas desisti de você antes que eu tivesse que desistir de mim.” (Thatu Nunes)

Era tudo perfeito. Nossos gostos combinavam, nossos beijos se encaixavam, as conversas nunca tinham fim. Cada vez mais, eu sentia que éramos feitos um para o outro. Eu não cabia em mim de tanta felicidade.

E o que mais me fazia feliz era ver que você também se sentia assim.

“O casal perfeito”. Era assim que os amigos nos definiam, pois tinham certeza que envelheceríamos juntos. E nós também tínhamos!

A vida nos três primeiros meses de namoro era maravilhosa. Programas básicos, mas que eram meras desculpas para estarmos juntos. Rua, chuva, fazenda, parque, igreja, protestos, cursos de bordado, o que fosse junto com você eu ia. E ia bem feliz.

Depois começou ficar mais sério, mas não menos maravilhoso. Começamos a falar sobre grana, planos de vida, perspectivas. E começamos a pensar em construir uma vida a dois. Mais séria, mais adulta. Aos poucos, as coisas foram tomando forma, as dificuldades aumentaram de grau e intensidade. Mas ainda éramos apaixonados. As brigas ganhavam mais hostilidade, eram mais contundentes e cada vez por motivos mais tolos, mas mesmo assim ainda éramos apaixonados.

Até que chegou um momento que eram mais brigas do que paz, eram mais motivos para separarmos do que ficar por aqui.

Mas ainda éramos apaixonados. E quantas vezes desisti de desistir por conta disso?

Meu humor foi se deteriorando, minha saúde acabando. E a sua também. Até que um dia terminei. E você, em meio a uma crise louca, me disse que sabia que eu não gostava mais de você, o que não era verdade, mas a esta altura, isso nem fazia mais diferença, seria só estender mais as brigas, então deixei pra lá, mas hoje quero contar: eu ainda era apaixonada por você.

Foi tão difícil dar um ponto final, dizer adeus e ainda ouvi-lo pondo em dúvida meu sentimento. Aquele que me corroía por dentro a cada roupa colocada na mala e quase me convencia a mudar de ideia.

desisti

Quando saí por aquela porta minhas lágrimas e meus soluços eram incessantes. Eu dirigia chorando enquanto lembrava do seu sorriso, das suas mãos, dos seus beijos, do nosso começo de namoro.

Foi então que parei o carro, respirei fundo e me lembrei de mim mesma, de como eu era feliz naquele nosso começo e de como ultimamente eu vivia sofrendo e pensei:

“Ainda sou apaixonada, sim! Mas desisti de você antes que eu tivesse que desistir de mim.”

Ainda sinto saudades, ainda sou apaixonada por você, mas por mais apaixonada que eu seja, não vale a pena sofrer.

Enxuguei as lágrimas, liguei o rádio no último volume e cantei junto cada música o mais alto que pude.

Romântica, mas de um jeito nada romântico. Escrever é como construir uma colcha de retalhos: vou juntando pedaços de histórias, sentimentos e pensamentos meus, seus, de outras pessoas. E a cada vez que você me lê, me cita e me compartilha, enche meu coração de alegria e mostra para alguém um pouco mais de você, de mim e, claro, dela mesma.

Amo escrever, mas amo mais ainda ser lida. ♥

Mãe de Adolescente

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