Love: a série da Netflix que fala de casualidades, não de amor

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Confesso que não sou muito atraída por anúncios de novidades na Netflix. Geralmente vou pelo que leio ou por indicações, mas por algum motivo, Love me atraiu e foi assim que caí de paraquedas na série.

Contém Spoiler Prometo que eles só te farão querer ver mais a série do que desistir dela

(porém se você odeia spoiler absolutamente, não prossiga)

LOVE 03

No começo, esperava uma série ao estilo comédia romântica e, pela cara do ator Paulo Rust, esperava mais comédia que romance. E foi exatamente o que encontrei. Comédia. Romance? Bom, aí é que entra minha percepção da coisa.

Ao meu ver, poucas coisas são tão românticas quanto o que me faça rir genuinamente. E a série fez. Ela não tem nada de genial, de super, de incrível, mas ela tem exatamente o que tem na vida – pelo menos na minha: muita casualidade, muita bola fora, muita tentativa e erro e alguns acertos ou golpes de sorte.

Mickey, a personagem interpretada por Gillian Jacobs, é uma ex-alcoolatra-não-praticante que sonha em ter um amor, mas enquanto isso vive tendo um monte de relações imbecis. Típico, não é mesmo?

LOVE 02Sem qualquer medo de parecer vadia, a personagem mostra a leveza de ser e estar como acha que deveria, mesmo quando não é exatamente como gostaria, mas como dá para ser. E mostra os conflitos que muitas de nós vivemos ao nos permitirmos extravasar e, ao mesmo tempo, sentimos culpa e medo de que isso nos arruíne as chances de amor verdadeiro.

É delicioso ver uma obra defendendo com extrema candura, a ideia de que foda-se se a gente dá quando tem vontade, porque quando o cara finalmente é legal e vale a pena, ele não vai ligar pra isso, porque o que vai contar é o que um sente pelo outro quando estão juntos, reforçando o nosso tão querido mantra do Acredite mais em você!

Também é interessante ver o esforço que um faz para agradar o outro no começo. Coisa que já relatei aqui no texto “Eu só queria te impressionar”. A forma como são tão diferentes e antagônicos, mas que também se combinam tão estranhamente é algo tão comum em relacionamentos que nem sempre damos conta.

LOVE NETFLIXO que achei interessante na série é que ela é leve e nos identificamos com todas as personagens, ao mesmo tempo. É como se fossemos um pouco Mickey, um pouco Gus, mas também um pouco Bertie (Claudia O’Doherty) e, porque não?, um pouco Dr. Greg (Brett Gelman).

Não tem muito aquele lance de ficarem enrolando pra algo acontecer ou não acontecer. Então o ritmo da série é bem tranquilo.

Os conflitos de gosto embaralhados com as vontades de ficar juntos e com sentimentos novos, confusos e diferentes, acabam dando o toque de “vida real” para a série.

Outro detalhe é ver personagens na faixa dos 30 vivendo conflitos que teoricamente seriam trabalhados com adolescentes. Isso é pra mostrar que não existe idade para ter medos, dúvidas, vontades e, claro, conflitos amorosos.

Bom, pelo menos nessa primeira temporada eu não vi muito LOVE, na forma mais comum das produções televisivas. Mas amei a série! E espero, de verdade, que finalmente parem de romantizar o amor, pois ele é tão lindinho assim, com essa cara de “presente do acaso” e só.

Trailer Oficial

Romântica, mas de um jeito nada romântico. Escrever é como construir uma colcha de retalhos: vou juntando pedaços de histórias, sentimentos e pensamentos meus, seus, de outras pessoas. E a cada vez que você me lê, me cita e me compartilha, enche meu coração de alegria e mostra para alguém um pouco mais de você, de mim e, claro, dela mesma.

Amo escrever, mas amo mais ainda ser lida. ♥

Mãe de Adolescente

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