O que aprendi com o caso Bel Pesce

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O que aprendi com o caso Bel Pesce?

Bem, eu poderia falar do que aprendi com a Bel Pesce, mas na verdade não me lembro de nada que ela tenha me ensinado diretamente. No entanto, quero falar de tudo o que aprendi – ou relembrei – com a sucessão de fatos que envolveram esta tão conhecida moça.

Não vou mentir que sempre senti uma pontinha de inveja de quem consegue obter sucesso com coisas não palpáveis, especialmente quando se tratam de coisas que eu poderia perfeitamente fazer – e fazer bem feito, diga-se de passagem – como palestrar e estimular pessoas.

Também confesso que nunca fui muito enfática em me aprofundar nessa área por um certo sentimento de medo e receio de parecer vazia ou de não condizer com a expectativa de fazer o que ensino. No entanto, isso faz parte de algo que acredito serem duas frentes distintas: Nem sempre quem é bom em instruir, liderar e incentivar, é bom em efetivamente fazer acontecer, operar.

É claro que valorizo e aprecio quem sabe fazer as duas coisas. Mas também entendo que um bom técnico não tem que necessariamente ter sido um bom jogador.

Após este breve discurso, caso não tenha ficado claro, quero apenas elucidar que não tenho absolutamente nada contra quem instrua, incentive e lidere, mas não seja tão bom assim em operar.

No entanto, o caso Bel Pesce tem particularidades que fogem deste contexto e é aí que tiramos os aprendizados a seguir:

1) Cuide de como se comunica

Comunicação sempre foi importante e todos sabem disso, ou deveriam saber. No entanto, não paramos para pensar que nossas interações diárias, mesmo que em nossos pequenos círculos e nas redes sociais, são formas de comunicação e acabamos negligenciado-as.

E é aí que Bel Pesce ganha de nós: ela cuida de cada milímetro de sua comunicação, de como aquilo vai ecoar, de como vai soar, parecer e refletir sobre ela.

Tanto que foi nesse quesito que ela pecou, quanto ao Projeto Zebeleu: na comunicação. Ela não foi clara, assertiva, não foi cuidadosa. Basta ver no teaser deles, o Leo falando “que não quer que os clientes saiam satisfeitos”. Eu ri.

 

2) Empreender exige esforço, mas não apenas isso

Um dos maiores grandes erros das pessoas que escolhem empreender, é achar que basta se esforçar. Basta se dedicar com ferocidade, com vontade, garra, gana e pronto, a coisa vem.

E em seus discursos motivadores, Bel Pesce fala muito disso. De esforço, dedicação. Como se bastasse se esforçar e todo o resto se encaixasse em seu devido lugar e a roda rodaria. Mas isso não é verdade.

Não basta esforço. Na verdade, esforço é só uma parte do todo que é preciso. Não adianta nada estar 100% motivado todos os dias e não saber o que, como e quando fazer as coisas. Na verdade, vai ser gasto de tempo, energia para colher frustrações.

 

3) Eu não sou ninguém sem minha rede de contatos

Bel Pesce também não é ninguém sem a dela, só que a dela é muito mais foda que a nossa, por isso ela é ela e nós somos só nós.

Uma rede de contatos faz toda a diferença. Toda! Mas não é só estabelecer alguns contatos foda e pronto. Trata-se de saber como conduzir contatos, criar uma rede de confiabilidade onde você possa ter com quem contar para ampliar seus negócios e estabelecer novos e novos contatos e assim vai.

Muitas pessoas tem excelentes contatos, mas acabam se queimando com eles por mal uso do item 3: a falta de cuidado em se comunicar.

 

4) Quando você errar, a melhor forma de “consertar” é reconhecendo o erro

Os pronunciamentos que vieram depois do fiasco do crowdfounding Zebeleu foram fundamentais para a onda de mal estar e antipatia em cima do projeto e dos três envolvidos, especialmente Bel Pesce.

A Bel, que poderia ter sido genial nesta questão ao dizer que pecou na escolha das palavras e na postura de colocação do negócio, optou por insinuar que as pessoas é que entenderam errado. Ela jogou para cima do universo, a culpa da má comunicação. Aliás, os três fizeram isso.

Mas de Bel, nós esperávamos mais. Ela era a “Menina do Vale”. Ela era nossa “guru dos negócios”, um az do empreendedorismo. Os outros dois eram só caras bonitinhas da gastronomia jovem. Então era dela que nós esperávamos mais.

 

5) As mentiras – ou meias verdades – tem pernas curtas

Os rumores dão conta de que Bel teria “floreado” seu currículo, o que não tenho provas nem certeza. Como a quinta lição pôde ser aprendida mesmo que não seja bem assim, vamos usar dessa suposição como exemplo.

Quando nos tornamos alguém público, as pessoas se interessam por nossas histórias, pois é através delas que elas se identificam. Cada detalhe, cada perda, ganho, conquista, disputa, o que for, vai construindo o elo entre nossos apoiadores e nós.

Assim, supondo que as coisas não sejam bem como deixamos parecer que são, uma hora as pessoas acabam descobrindo e isso nos faz perder a credibilidade construída durante todo o tempo.

Por isso, o melhor a fazer é esclarecer sempre que possível cada detalhe mal explicado. Lembrando que a imprensa nem sempre se interessa por publicar os esclarecimentos, mas vale o esforço de tentar.

 

6) O mercado de empreendedorismo no Brasil é promissor

Sim! Com a crise em que o pais se encontra, 7 em cada 10 brasileiros gostaria de empreender e ter o próprio negócio bem sucedido. Com isso, surgem oportunidades incríveis de empreender para empreendedores.

Contudo, o mesmo mercado que é promissor é perigoso, pois é espaço fértil para pessoas venderem sonhos e entregarem pesadelos. Venderem motivações e entregarem frustrações.

Como citado no item 2, empreender é muito mais estratégia aplicada ao esforço do que sonho, motivação, frases motivadoras, etc. Então, caso queira contratar um consultor, pense em buscar quem te ajude a fazer algo efetivo, no sentido de buscar procedimentos de realização e que, claro, te motive também e não simplesmente alguém que te dê conselhos de incentivo. Pra isso, a gente tem mãe, tia-avó e melhor amiga.

 

Essas foram as 6 coisas que aprendi – na verdade, relembrei – com o caso Bel Pesce. E você, acha que faltou algo? Conta aí nos comentários.

 

Romântica, mas de um jeito nada romântico. Escrever é como construir uma colcha de retalhos: vou juntando pedaços de histórias, sentimentos e pensamentos meus, seus, de outras pessoas. E a cada vez que você me lê, me cita e me compartilha, enche meu coração de alegria e mostra para alguém um pouco mais de você, de mim e, claro, dela mesma.

Amo escrever, mas amo mais ainda ser lida. ♥

Mãe de Adolescente

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