Obrigada por ter me deixado

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Obrigada por ter me deixado, por me dar aquele fora…

Doeu, foi sofrido, achei que jamais superaria. Achei que morreria de fome, de sede, de sono, de desidratação.

Nada do que me dissessem ou fizessem me convencia a sair daquela cama, do meu sofrimento e da minha revolta por perder você.

E nenhuma explicação era capaz de me fazer entender porque você não me queria mais.

“Por quê?”, eu questionava a cada instante, pensando em mil possibilidades e nenhuma era convincente.

Você não podia estar falando sério. Era só na hora da raiva. Eu tinha certeza que você voltaria atrás, que você me ligaria e diria que estava confuso e me pediria perdão.  Viveríamos felizes para sempre, desta vez, com você certo de que jamais conseguiria me deixar.

Mas nada disso aconteceu e o tempo passou…

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Eu não morri de fome, nem de sede ou sono e muito menos de desidratação, mesmo depois de chorar três Rios Amazonas.

Nenhuma explicação serviu de nada mesmo, mas acabei nem ligando mais para os motivos que o fizeram me deixar. Estava mais preocupada em encontrar motivos para deixar de sofrer.

Aos poucos, voltei a sair com amigos, dormir bem, ter novas esperanças.

Comecei a ver que existiam outros caras, talvez não tão interessantes quanto você, mas já serviam para matar o tempo.

Uns beijos aqui e ali, muitas risadas, olheiras, baladas. Novas amizades, lugares incríveis, novos livros e séries.

Novos gostos que eu jamais imaginei que teria. Volta e meia eu ainda pensava em você, com uma certa saudade, mas sem me abalar. 

Até que finalmente bateu!

E foi um beijo perfeito, um entrelaçar de dedos perfeito, um olhar perfeito, a voz perfeita. E eu só conseguia pensar em duas coisas: “Meu Deus, quero me sentir assim para sempre” e “Obrigada por ter me deixado”.

Fui para casa pensando naquele novo sentimento, tão intenso e calmo ao mesmo tempo. Tão seguro e surpreendente ao mesmo tempo.

E, assistindo o teto enquanto tentava dormir, sorria sozinha ao lembrar daquele novo sorriso, daquele novo beijo, daquela nova voz.

Volta e meia, pensava em você. E era um carinho terno e agradecido, o que eu sentia.

E por mais que eu tente, nunca serei capaz de agradecer pela melhor coisa que alguém já fez por mim, que foi ter me deixado. Você foi um amigo como nenhum outro jamais foi e nem sabe.

E hoje, escrevo-te apenas para lhe contar e agradecer: “Obrigada por ter me deixado. Obrigada mesmo!”

Hoje sou feliz, completa. Hoje sei que a única explicação ao que eu nunca conseguia entender, é que há muitos males que vem para bem e há muitos bens que se vão para virem bens melhores ainda. ♥

Romântica, mas de um jeito nada romântico. Escrever é como construir uma colcha de retalhos: vou juntando pedaços de histórias, sentimentos e pensamentos meus, seus, de outras pessoas. E a cada vez que você me lê, me cita e me compartilha, enche meu coração de alegria e mostra para alguém um pouco mais de você, de mim e, claro, dela mesma.

Amo escrever, mas amo mais ainda ser lida. ♥

Mãe de Adolescente

Comentários

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2 Comentários

  1. Gostei do texto.
    Acredito que o término é por si só, a parte mais bonita do relacionamento, mas não o vejo como um “mal que vem para o bem”, pois não vem a ser um “mal”.
    De qualquer forma, achei curioso o antagonismo do relato com o nome do blog.