Sobre a solidão de ser exatamente quem você é

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Mãe de Adolescente

A solidão de ser exatamente quem você é… Quem nunca sentiu isso? E muitas vezes corremos de nós mesmos.

E alguns jamais voltam para si. Alguns jamais voltam a ser exatamente quem você é…

Crescer é a pior coisa que pode acontecer com alguém. E inevitavelmente acontece com todos.

Dói todo santo dia. Crescer machuca, deixa marcas e é um processo infinito que (na minha opinião) não acaba nem mesmo com a morte. Acho que a gente morre e muda. Vira outra coisa. Nasce de novo pra crescer e sofrer em um eterno e infinito ciclo de todas as coisas.

É uma perspectiva assustadora, não acha? A de que o crescimento e a dor, além da morte, serão por todos os tempos, se já não são desde sempre, nossas únicas certezas. Penso nisso e é como se uma mão invisível apertasse minha garganta. Silenciosa e assustadoramente. Não mais do que pensar na solidão que eu sinto olhando o mundo a minha volta, como nada mudou e como tudo mudou para esta espetacular merda gigante. Aquela inquietação de outros tempos. A vontade de conhecer, experimentar, de estar, ser, ir. A vontade de abraçar o mundo e sentir, sentir tudo. Isso nunca passou.

Não era uma fase. É quem eu sou.

Inquieta demais, sincera demais, curiosa demais, constante nas minhas mudanças e incertezas. Cresci, doeu e sou um mar de experiências cujas ondas inundam e afogam seja de ódio, amor ou alegria. Mas ser mar é triste. É sozinho. É como se todos os outros fossem conchas, mariscos, peixes e ostrinhas. E em seus grupinhos pairam lindamente em um infinito azul no seu próprio e imenso balé de pequenas coisas belas. É bonito de se ver mas é como se nada fosse parte de mim. E fosse ao mesmo tempo. O que é bem estranho.

Ser quem você é, seja lá o que isso for, é ser sozinho porque você nem sempre vai se encaixar, nem sempre vai agradar, não vai se curvar a tendências, vontades e sugestões. Ser quem você quer é uma luta diária que te deixa agressivo e duro porque ou você cria uma couraça contra a pressão de ser o que os outros querem ou muda para só pra agradar o mundo e isso pra mim é a morte. Hoje em dia muita gente é de mentira e ser de verdade incomoda, afasta e machuca.

Ninguém gosta daquele que vem de cara limpa a um baile de máscaras.

Ser você mesmo é o mais puro e intenso ato de egoísmo e coragem. De força e persistência. Se olhar e verdadeiramente se ver. Isso é crescer e lembre-se: crescer dói. Todo santo dia. Mas é uma dor necessária a aqueles que pensam, que amam, que sentem, é preciso se afirmar mesmo que seja apenas pra si mesmo, se certificar da própria existência, de que essa existência seja única e que tenha significado… afinal de contas se você não fosse você, quem você seria? Qualquer pessoa? Uma pessoa específica? Ninguém?

Lutar pela própria existência, não mais em uma selva de animais brutos e terríveis intempéries, mas lutar pela própria existência em um mundo de unidade, no qual você é forçado a ter, ser, produzir, reproduzir, a sorrir apesar das dores a não reclamar quando algo não te agrada, a seguir o curso natural. “É assim mesmo”, “Mas você nasceu para isso”, “É o natural”. Gritar em um universo de silêncios falsos e gritar a ponto de ser ouvida por todos a sua volta. Ser quem você é. Por mais maluco que isso seja. Seja, mas prepare-se para ser sozinho.

ser quem você é

Imagem: wikimedia.org

Não que ser sozinho seja necessariamente ruim. Se você gostar da sua própria companhia, você nunca estará verdadeiramente sozinho. Mas é que às vezes, cabe mais alguém. E estar junto-sozinho pode ser tão bom. Seja com um amigo, alguém que é exatamente quem quer, assim como você. Alguém que você não precisa agradar, que te conhece e gosta de você apesar dos seus defeitos. Mas isso é tudo muito profundo e a maioria das pessoas prefere ser tão rasa. Como uma poça que seca num dia quente de verão e desaparece.

O like no Facebook, o “lindaaa” na foto e sumiu.

E a vida a gente toca. Toca pra ela, dança junto. Toca no rosto, fala que ama. Pega na mão e leva pra onde quiser. A vida é nossa pra gente ser o que quiser, como quiser. Ser sozinho, ser junto e não se encaixar, nem com você nem com ninguém. Ou se encaixar com alguém e ter conforto em um mundo de espinhos. Porque no fundo todos nós somos um mar de solidão e presença. De alegria e dor. Um mar de todos os sentimentos que transborda no mar dos outros e faz eles transbordarem também. E saber disso é inestimável. Saber disso te torna forte e quase indestrutível.

A solidão de ser quem se é, no fundo, é uma solidão que todos nós compartilhamos em nossos silêncios ou nos nossos mas altos barulhos, mesmo que alguns de nós ainda não tenham percebido.

Social media, publicitária, jogadora, leitora, apaixonada por cachorros, séries, vinhos, piratas e dragões. Host do Hitbox News Update e Community Ambassador na @hitboxlive, @hitboxlivebr e @hitboxliveLA. Quer saber mais? Me segue no Twitter: @NinaLoneWolf.

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