Minhas considerações sobre a campanha #MeuAmigoSecreto

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A hashtag #MeuAmigoSecreto tem sido usada por milhares de mulheres para desabafarem sobre casos de machismo a que são submetidas ou já observaram.

 

Hoje acordei e entendi o que era a tal hashtag #MeuAmigoSecreto e, claro, resolvi participar.

Peguei casos que já ouvi de amigas íntimas e juntei num compiladinho de #MeuAmigoSecreto e postei no FB:

MeuAmigoSecreto

 

Claro que em meio à tantos relatos reais, sinceros e condizentes com a ideia, que seria de desabafar sobre os casos e trazer à tona a reflexão do comportamento, também pudemos ver um mar de choramingos másculos e revanchismo de mulheres que só queriam mesmo reclamar de ex, por ex. Mas esses casos, a gente simplesmente ignora, porque em todo canto sempre haverão os perdidos.

O que quero trazer aqui hoje, é um outro ponto de reflexão sobre a campanha.

Em primeiro lugar, deixo claro que sou super a favor desse tipo de campanha e óbvio que sei que ela não resolve “nada” no sentido prático da coisa, mas só de poder desabafar como nos sentimos e ver quantas outras já se sentiram como nós, já é ótimo! Sem falar no tanto de homens que param para observar a si mesmos depois de lerem as postagens.

No entanto, se repararmos, veremos pessoas reagindo como se a campanha fosse uma solução efetiva e que por conta dela, tudo o que é machismo desaparecerá, por isso ela se torna intocável, inquestionável. E daí para a frente, a pessoa deixa de focar na causa para focar em quem quer tentar pará-la, ou seja? Acaba deixando-a parar mesmo.

Em minha cabeça isso é tão lógico quanto alguém que se diz protetor dos bebês baleias e recebe um pedido de ajuda para um bebê baleia em iminência de morte, mas esse bebê foi capturado por piratas. O protetor dos bebês baleias começa a discursar contra os piratas, explanando horas e horas sobre como é errado roubar, ainda mais um bebê baleia, enquanto o infeliz do bebê baleia agoniza até a morte.

É mais ou menos isso que tem acontecido todo santo dia nas causas sociais. As pessoas andam muito mais engajadas em detonar quem é contra ou quem dá o passo errado, do que salvar quem eles dizem proteger.

A exemplo do rapaz abaixo:

Onde podemos ver o rapaz praticamento justamente das atitudes que a campanha quer combater, contra uma moça que (com todo o direito do mundo) pensa diferente dele e de quem acha a campanha eficaz.

E o pior: gente que apoia a campanha, achando a atitude do rapaz o máximo!

 

Pontos fracos

Perdão, amigas, por eu possuir um senso crítico que me impede de tapar o sol com a peneira.

A campanha é excelente, mas também tem seu ponto fraco: dar à muitas mulheres a ideia de que se participou da campanha, contou seu caso, está tudo bem.

Dos casos que vi relatados no Facebook, muitos eram dignos de DENÚNCIAS, não de meros relatos via hashtag. Óbvio que muitos casos foram devidamente denunciados, investigados, punidos, etc e agora viram relatos e inclusive servem de alerta para as demais. Mas estou falando dos casos que são crimes e que não foram denunciados.

Acho tão importante quanto dividirmos nossas experiências enquanto nos sentimos mutuamente abraçadas, que também reforcemos incesantemente a importância de DENUNCIAR aos órgãos competentes os casos de abuso, para que os criminosos sejam punidos.

[dropcap]Denuncie![/dropcap]

Pela internet, é possível denunciar anonimamente os casos através da safernet e por telefone temos o DISQUE DENÚNCIA ANÔNIMA 181.

Não seja uma vítima ou uma calada, passiva e inerte. Vamos colocar os criminosos na cadeia para que esse cara não faça o mesmo com outras pessoas.

 

Sugestões

Minhas sugestões pessoais:

  1. Deixe quem é contra ser contra e quem não quer fazer parte, ficar de fora. Vamos focar em dar voz e vez para quem precisa ser ouvido de fato.
  2. Foco no que você se propôs. Se sua causa é defender os pokemons da extinção, não interessa ficar discutindo o dia todo com quem nem acha que eles existem. Vá salvar pokemons!
  3. Se você viu ou foi vítima de um crime, denuncie! Pode falar nas redes sociais? Pode! Mas antes DENUNCIE!
  4. Ajude a inibir as denúncias falsas. Questione, entenda, ouça, investigue. Não compre versões únicas da história, pois a cada mentira levada como verdade, milhares de vítimas reais sofrerão as consequências. (Sem falar em inocentes tendo a vida destruída)
  5. Lembrar que o fato da pessoa achar que a campanha não resolve nada não faz dela alguém ruim. Aprenda a conviver com opiniões diferentes e aceite que nem todos concordam com os métodos e motivos, por isso existem tantas causas diferentes.

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