Esse não é um post sobre tranças [É sobre empatia]

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Eu sou apaixonada por tranças, mas quem me conhece nunca me viu com uma trança nem em Festa Junina. O motivo é muito simples: a última trança que minha mãe fez em mim, justamente para uma Festa Junina quando eu era criança, ficou em pé. Isso mesmo, a ponta dos meus cabelos foi buscar o céu.

Claro que eu não saí na rua assim e depois disso, nunca mais tentamos tranças no meu cabelo, aceitamos a falta de habilidade de minha mãe e essa virou uma daquelas histórias que a gente conta para demonstrar que nesse mundo de cuidar do outro e ser cuidada nem tudo é perfeito e que nem toda mulher nasce com a destreza necessária para fazer uma simples trança na filha.

Porém, hoje quando pedi para prenderem meu cabelo (hábito que estou ganhando esse ano) fui surpreendida. Senti minha cabeça balançar de um lado para o outro (não sustento a cabeça em movimento) e percebi ela separando mechas. Eu que não sou boba já sabia o que ela estava aprontando.

– Tem certeza, mãe?

A resposta foi chamar meu irmão para segurar minha cabeça e alguns minutos, trapalhadas e mechas fujonas depois, lá estava minha trança. Batemos aquela foto para que eu pudesse conferir e a trança não é daquelas de babar no Pinterest, mas pelo menos não está de pé.

A trança surpresa!
A trança surpresa!

Essa seria apenas mais uma história de carinho e amor entre mãe e filha se não estivéssemos em um tempo em que a palavra da vez é EMPATIA. Chega a ser sufocante viver nas redes sociais e entre mil textões nos quais essa palavra é empregada e bradada a esmo enquanto os atos na própria rede não correspondem ao discurso.

E sim, estou transformando uma simples trança num ato de verdadeira empatia, ainda que ela esteja exposta em um ato tão pequeno e “superficial”.

Empatia é ser capaz de se colocar no lugar do outro e assim entender o que ele sente, como vê o mundo, as pessoas e, dessa forma, compreender seu comportamento. Olha aqui a definição de empatia segundo o dicionário Michaelis.

tranças-e-empatia

A grande questão por trás da empatia é que ela nasce da observação do outro e aqui vem a questão: eu nunca pedi para que minha mãe me fizesse uma trança depois do episódio tragicômico, nem me lembro de ter feito comentários sobre tranças ou fiz disso uma grande questão na nossa vida. Ela só me observou e talvez tenha me visto alguma vez organizando meus murais do Pinterest.

Como sociedade desaprendemos a desacelerar para observar, aprender e absorver o ponto de vista do outro para só depois partir para uma ação, seja ela qual for. Vivemos em tempos de descrença e carência, inebriados por uma ânsia de ações solidárias e mirabolantes. Transformamos assim a empatia em um discurso distante, nada prático ou objetivo e muitas vezes vazio. Empatia é exercitar aquele velho ditado de “calçar os sapatos” do outro e assim, só depois de compreendê-lo em essência, sermos capazes de fazermos pequenos e simples atos que estão muito mais ao nosso alcance e distante dos holofotes ou tomar decisões mais embasadas.

Que sejamos mais silenciosos, observadores e verdadeiramente empáticos. Que a pessoa ao seu lado, aquela que anda meio pra baixo e desacreditada, seja surpreendida um dia desses com uma “trança”.

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