A 19ª Mostra de Cinema Judaico terá 22 produções, incluindo longas-metragens de ficção e documentários baseados na cultura e tradição judaica e o destaque fica para 2 filmes centrados na mulher

 

Ontem fui com o Dressler prestigiar o coquetel de abertura da 19ª Mostra de Cinema Judaico e, em seguida, assisti ao filme “O Julgamento de Viviane Amsalem” no Clube Hebraica.

O Julgamento de Viviane Amsalem

Minha primeira surpresa foi em ver que o anfiteatro onde o filme seria exibido estava lotado.

Após uma breve apresentação, sem aquela chatice cheia de delongas e agradecimentos infinitos, o filme começou a ser exibido.

A primeira cena já é bem peculiar e aponta um formato baseado em uma obra muito mais comportamental, do que a maioria.

Confesso que pensei: “Ih, acho que me meti numa roubada. Esse filme deve ser um saco!” quando me dei conta de que era uma produção francesa.

Eu adoro cinema francês, mas costumam ser filmes menos dinâmicos, num ritmo mais cansativo, então não acho que seja ideal para ser visto numa segunda-feira a noite, à 50km de casa.

Mas a trama começou a ganhar alma e eu fui percebendo que este não seria assim. Ele tem um ritmo próprio, até frenético em alguns momentos e já me prendeu pelos detalhes comportamentais acentuados, mas sem serem caricatos.

A atriz, um primor em seu papel de mulher, fez valer cada cena que ela apareceu.

O filme trata de um tema delicado, pois traz a tona uma questão que envolve cultura, religião e costumes, apontamento para uma crítica social, mas sem criar vilões. O filme não tem mocinho e vilão. Tem um drama real, de pessoas reais, que fazem escolhas ruins e boas, pautadas em suas crenças, conceitos, dogmas, egos, etc.

A ousadia vem em querer fazer um longa-metragem todo num mesmo ambiente. É um desafio e tanto para o diretor e ele o fez com maestria.

O filme tem os alívios cômicos também baseados na narrativa do ser humano e suas falhas, seus trejeitos e modos. E são alívios cômicos de uma qualidade incrível, daqueles que o público gargalha mesmo!

O enredo, já previsível para o final, não tira o encanto de querermos desvendar o andamento da história. De querermos ver como cada momento se desenrola e como cada persona se comportará diante de cada confronto.

É quase uma história daquelas que nossos avós contam e que ficamos vidrados, mesmo depois de ouvi-la 100 vezes.

Dressler e eu saímos de lá extasiados e perplexos em ficarmos duas horas dentro da sala, num filme que acontece todo dentro de uma sala, sem nos sentirmos cansados ou com sono.

E a cabeça fervilha, a discussão no caminho de volta, onde paramos para pensar em como a construção das personagens foi primorosa em mostrar nossas humanidades e choques, é inevitável.

Sinopse e detalhes

Em Israel, somente os rabinos tem o poder de firmar ou dissolver um casamento. Mas esta última opção só se concretizará se houver total consentimento do marido. Viviane Amsalem (Ronit Elkabetz) está pedindo um divórcio há três anos, mas seu marido, Elisha (Simon Abkarian), a nega. A intransigência do marido e a determinação de Viviane em lutar por sua liberdade dão o contorno deste processo.

 

Vale assistir! Olha onde vão rolar as sessões:

19ª Mostra de Cinema Judaico

mostra de cinema judaico

De 4 a 9 de agosto, o Clube Hebraica realiza o 19º Festival de Cinema Judaico, trazendo a São Paulo 22 produções, 19 delas inéditas no Brasil, apresentadas em diversos festivais internacionais. A programação inclui longas-metragens de ficção e documentários que contam histórias emocionantes baseadas na cultura e tradição judaica.

O evento ocorre em cinco endereços paulistanos – duas salas no Clube Hebraica (teatros Arthur Rubinstein e Anne Frank), Cinemark Pátio HigienópolisCineSescTeatro Eva Herz (Livraria Cultura do Conjunto Nacional) e Museu da Imagem e do Som (MIS). As sessões no Teatro Anne Frank e no MIS são gratuitas, enquanto nas outras salas os ingressos custam R$ 12 (inteira).

Comentários

comentários

About Author

Romântica, mas de um jeito nada romântico. Escrever é como construir uma colcha de retalhos: vou juntando pedaços de histórias, sentimentos e pensamentos meus, seus, de outras pessoas. E a cada vez que você me lê, me cita e me compartilha, enche meu coração de alegria e mostra para alguém um pouco mais de você, de mim e, claro, dela mesma. Amo escrever, mas amo mais ainda ser lida. ♥

Comments are closed.