O post “Fiquei com o cara, depois descobri que ele tem namorada” que a leitora anônima me mandou, me lembrou de uma de minhas histórias reais (e tristes, porém engraçadas)

Bom, vou manter os demais envolvidos em anonimato, primeiro porque não sei que fim levou, segundo porque existe uma remota possibilidade deles virem a ler em algum momento, já que temos alguns amigos em comum daquela época.

Mas vamos lá!

Eu era uma baixinha magrela de 15 anos. Nessa época, se tinha ficado com 3 caras era muito, porque as minhas amigas já eram todas bem gostosonas, então sempre me sobravam as tranqueiras e como nunca gostei de homem feio, acabava ficando sozinha mesmo.

Era época de férias e minha irmã e eu éramos bem tontas. Daquelas meninas que andavam 15km de bicicleta por dia, todas descabeladas, rindo de tudo, enquanto as outras garotas, sempre lindas, arrumadas e engomadas, arrasavam nos seus modelitos dos anos 90.

Até que, certa sexta-feira de 1995, um cara ficou a fim da minha irmã e, como andávamos de bicicleta juntas o dia todo, ele trouxe um amigo para me apresentar e ver se assim rolava algo.

O cara não era lá nenhum lindo, mas era alto, cabelos pretos, pele branquinha… A voz dele era “a la Anderson Silva”, mas aquele coleguismo de “Ah, Thatu, fica com ele só hoje, porque to a fim do amigo” rolou. Quem nunca, né? Eu sempre!

Enfim… Ficamos com os caras – ressaltando a importante informação de que, naquela época, “ficar” era dar um ou dois beijos de língua sem nem tirar as mãos da cintura da garota e já achar que arrasou! – e conversamos um pouco, onde eles nos disseram que tinham 18 anos e que eram solteiros, moravam num bairro X, que era totalmente longe de onde morávamos e estávamos. Mas, tontas que éramos, nem pensamos em perguntar porque eles estavam lá, num bairro tão longínquo, numa praça de igreja, parados. Na verdade, na época, sequer achei isso estranho.

Foi tudo lindo. Eles nos acompanharam até o portão de casa e fizeram o papel de “bons moços”, pegaram nosso telefone e ficaram de ligar no decorrer da semana, blablablá.

No dia seguinte, sábado, fomos ao que fizemos as férias todas, durante anos: andar de bicicleta. Andamos os 15 km como de costume e, também como de costume, paramos na praça da igreja para beber água antes de subir para casa.

Quando eu estava abaixada bebendo água, minha irmã fala:

“Tháta, você não vai acreditar! Tháta, olha agora. Não, não olha, não. Vamos embora. É melhor!”.

Fiquei com o cara

Eu, toda suada que estava, levantei mais que depressa para olhar e não acreditei no que meus olhos viam dentro da igreja, tive que ir até a porta, adentrar e ver melhor. E era algo inacreditável.

Aquele fulano que havia sido o cara mais príncipe, me levou em casa, beijou minha testa ao dar tchau, disse que queria me ver de novo, conhecer meus pais e etc, estava vindo em minha direção de braços dados com sua noiva.

Sim! Ele havia acabado de se casar e estava saindo pela nave da igreja, quando calhou de eu beber água e avistá-lo vindo em direção à porta.

E o pior: ele também me viu. A cara dele era uma mistura de “Pelo amor de Deus não diga nada” com “Por favor, me perdoe” e “Calma, eu posso explicar”.

Fiquei com o cara

E eu, atônita, fiquei lá parada, toda descabelada, suada, suja, vermelha, cansada e desacreditada de que aquilo poderia mesmo estar acontecendo comigo. Mas estava e eu não conseguia me mover.

Minha irmã me puxava e dizia “Vamos embora, Tháta” e eu não conseguia sair dali e ficar olhando para ele, enquanto ele cumprimentava um a um e não parava de me encarar, até que finalmente consegui ir embora.

Cheguei em casa e contei para minha mãe, que esbravejava e tirava sarro de mim ao mesmo tempo. Dormi chorando, acordei chorando e era de raiva, de desgosto, de tudo ao mesmo tempo.

Passei o domingo todo em casa, sem ter coragem de pegar minha bicicleta magenta e sair. Não chorei, mas ainda estava incapaz de entender, incrédula pelo que havia acabado de vivenciar.

Na segunda, fomos andar de bicicleta durante o dia, mas escolhemos não parar para beber água na igreja e fomos direto para casa. Já a noite, por volta das 19h00, alguém me chama no portão. Era ele!

Ele estava lá, encostado em seu carro e disse: “Thati, por favor, me dá só cinco minutos. Eu imploro.” Eu, sem dizer nada, fui em sua direção, abri o portão e parei, ainda para dentro: “Fala!”.

“Thati, eu já estava de casamento marcado quando te conheci. Eu não imaginava que iria sentir o que senti, que iria querer o que quero agora, que iria mudar de ideia. E eu não podia simplesmente não casar mais depois de ter ficado com você apenas um dia e nem ao menos saber se você quer o mesmo que eu. A família dela, a minha. Tinham tantas questões envolvidas que pensei que a melhor possibilidade era me casar e esquecer o que senti com você, esquecer você. E eu ia fazer isso, mas aí você apareceu lá bem na hora. Foi a pior sensação que já senti na vida. Eu queria gritar para todos que não queria mais me casar, que quem eu estava gostando era você, mas não consegui e não achei que seria bom, nem para mim, nem para ela, muito menos para você. Sabe-se lá o que as pessoas, e ela, fariam com você ao saber? Elas nunca iriam entender que nos conhecemos há apenas um dia e que você não sabia que eu iria me casar. Iam achar que você era uma piranha, que fez de propósito.”

Quando ele terminou de falar, na minha cabeça, até fazia sentido o que ele disse. E fazia mesmo. Mas eu já era um tanto quanto pragmática demais, ou seja: entendi e concordo que foi o melhor a ser feito, mas isso não muda a condição de que ele se casou, agora era casado e que eu não pretendia, não queria e não iria ser a outra nem muito menos ser o motivo deles se separarem.

Foi então que estufei o peito e disse: “Fulano, por mais que eu tenha adorado te conhecer e ficar com você e por mais que entenda toda essa situação e ache que o destino foi um grande FDP com todos os envolvidos, isso não me motiva nada a escolher ficar com você novamente. Nossa história acabou aqui. Para sempre! Não quero ser a responsável pelo fim de um casamento aos 15 anos, não quero ser a amante de um homem casado, não quero correr o menor risco de levar comigo a culpa e o peso por ter feito sua esposa sofrer e nada do que você fizer ou disser vai mudar isso. E se você realmente gosta de mim, vai entrar no seu carro e nunca mais vai tentar nada comigo novamente.”

Ele respondeu um “Tudo bem, eu entendo e vou respeitar.” bem para dentro, quase engasgado, entrou no carro e foi embora.

Para não dizer que ele nunca mais me procurou, anos depois (uns 3 anos) voltamos a nos esbarrar numa balada e ele disse estar finalmente separado, mas porque ele a pegou com outro e tal. No entanto, eu já não o achava nada atraente e estava interessada em outro rapaz, na época, então nem rolou mais nada.

Bom… Essa é a minha triste história que hoje conto rindo, mas que na época partiu meu pobre coraçãozinho.

 

Comentários

comentários

About Author

Romântica, mas de um jeito nada romântico. Escrever é como construir uma colcha de retalhos: vou juntando pedaços de histórias, sentimentos e pensamentos meus, seus, de outras pessoas. E a cada vez que você me lê, me cita e me compartilha, enche meu coração de alegria e mostra para alguém um pouco mais de você, de mim e, claro, dela mesma.

Amo escrever, mas amo mais ainda ser lida. ♥

Comments are closed.