Os desafios do empreendedorismo feminino

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Antes de mais nada, gostaria de dizer que apesar de já ter acompanhado mais de 250 empresas com a consultoria, trabalhado em duas grandes empresas e ter feito alguns projetos sociais. Faz menos de um ano que conheci o empreendedorismo feminino mais à fundo, devido a um projeto que lancei chamado 300 mulheres, que visa fomentar o conhecimento de negócios entre mulheres.

É preciso, portanto, voltar um pouco do cenário para explicar algumas vertentes, como por exemplo, os tipos de empreendedorismo existente.

Antigamente, o empreendedorismo tinha praticamente duas vertentes. O empreendedorismo de necessidade, onde a pessoa na ânsia de sobreviver, fosse de fome, fosse de frio, precisava desenvolver habilidades, buscar alternativas de renda e adaptação das necessidades, criava empresas e produtos que atendiam também outras pessoas, e com isso, acabava surgindo de maneira natural os empreendedores e inventores. E o empreendedorismo de oportunidade, que é quando identifica-se um modelo de negócio ou uma solução que possa atender a demanda de um determinado local ou situação específica, faz-se um planejamento e empreende.

Mais recentemente, um novo conceito foi adotado, o intraempreendedorismo, que é quando um funcionário identifica oportunidades dentro da empresa e fora do escopo de trabalho e desenvolve soluções e projetos para atender a uma solução inesperada.

Além disso, podemos ainda citar o empreendedorismo social que são empresas, projetos e produtos que visam atender uma demanda social de bem comum. Aqui engloba-se ONG’s e empresas privadas com fins sociais.

E por fim, o novo empreendedorismo que contempla startups: empresas de tecnologia e com alta capacidade de escalonamento, empresas colaborativas e novas formas de empreender. Esse modelo quebrou alguns conceitos de que, por exemplo, é necessário tem grandes operações e recursos oara executar uma ideia.

Dentro desses modelos existem universos inteiros e sub sistemas que variam de região para região. E isso reflete desde situações financeiras até os tipos de soluções.

Com o empreendedorismo feminino não poderia ser diferente, é plural e é extenso, normalmente, as mulheres tendem a buscar o empreendedorismo social e o empreendedorismo de necessidade, seja buscando ajudar a comunidade ou incrementar a renda familiar.

Para entender esse cenário é fundamental entender a história da humanidade e o universo das mulheres.

empreendedorismo feminino
Bru Paese

A evolução da mulher x trabalho é gradativa e ainda enfrenta limitações estruturais. Como por exemplo, o incentivo à mulheres na ciência, mundialmente falando ainda é um desafio, falando de um país como o nosso, onde a inovação engatinha e o acesso ao ensino superior e de qualidade ainda é restrito, é quase uma raridade. O resultado disso é toda um ecossistema de negócios influenciado por aspectos que desfavorecem o empreendedorismo feminino. Aos mesmo tempo que o torna único e referência em muitos aspectos, como a sustentabilidade nos negócios.

Precisamos entender as nuances do modelo de negócios feminino para dar força e crescimento exponencial ao formato. Temos muitos casos de mulheres que abriram pequenos negócios de necessidade e hoje sustentam toda a família e promovem o desenvolvimento de empregos e setores da economia. Mas poucos casos de empresas femininas com foco em inovação e tecnologia, qual o impacto disso?

Hoje, os grandes investimentos e retornos estão em modelos de negócios inovadores, a grande maioria em torno da tecnologia e soluções técnicas. E por mais subjetivo e superficial que seja mensurar um modelo pela sua valia, quando falamos de negócio o dinheiro é fundamental para entender como o ecossistema se desenvolve, o que resulta em valores de mercado e ganhos menores para o empreendedorismo feminino.

Esses fatores vão de encontro aos do mercado tradicional, somado a questões de dupla jornada (casa, filhos e profissão), a escolhas de carreira e gestão de autoconfiança.

Nesse tempo de projeto do 300 mulheres, que iniciou no final de 2015, já pude estar em contato com 15 empresas e empreendedoras, e o que mais me chamou atenção em todas elas é a similaridade com que estão dispostas a correr riscos e a almejarem degraus maiores: são conservadoras e temem grandes oportunidades. Quando comparado ao universo do empreendedorismo masculino, a diferença comportamental é maior ainda. Muitas não se sentem seguras para tomar decisões e boa parte delas estão focadas em resolver aquela primeira fase do empreendedorismo, o de atender a uma necessidade imediata.

Dos 15 projetos, 2 são sociais e apenas 1 é voltado a novas tecnologias, como negócios em energia renovável. Ainda faltam 275 mulheres, mas o pouco que já pude vivenciar, mostrou que há muito para se avançar em aspectos econômico e estruturais, como investimento e capacidade de ampliação. Ainda que subjetivo, todas elas tem grande potencial e apesar dos desafios encontrado por elas, há grandes oportunidades de negócios e principalmente, de crescimento pessoal e profissional.

Aliar conhecimento e experiência pode trazer verdadeiros ganhos para o empreendedorismo feminino, porque o que mais encontrei nesse universo foram mulheres guerreiras e dispostas a mudarem a realidade que vivem, aquela vontade genuína de vencer que é praticamente impossível de ser mensurado.

Exatamente por isso, o desenvolvimento e a solidez é uma questão de tempo, mas exige mais do que mera vontade. É preciso que todo o ecossistema esteja envolvido e disposto a ajudar na evolução do empreendedorismo feminino.

Sucesso para todas nós!

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