Sabe… O amor nunca morre totalmente. Pelo menos o amor que tínhamos por alguém que morre, não.

Para ler, recomento que ouça: I Love Till The End (p.s.: Eu te amo)

ps eu te amoHá quase 7 anos fiquei viúva num assalto. Ao ver que eu seria alvejada, Luciano – meu então marido -, segurou o braço do bandido, que atirou a queima-roupa em seu peito. Luciano só teve tempo de esperar eu chegar até ele e abraçá-lo. Morreu aos 29 anos. Nossa filha, que hoje tem 12 anos, tinha 5 na época.

Foram tempos tenebrosos. Senti medo, raiva, rancor, ódio, indignação, vontade de me vingar, de morrer, de tudo ao mesmo tempo. Se não fossem por meus amigos, família e principalmente minha filha, eu não teria superado. Teria morrido dias depois.

Mas era de amor que estávamos falando, não é mesmo? E eu disse que o amor nunca morre. Porque nunca morre mesmo.

Ele se transforma, ele se molda, ele se recicla. Amor é resiliente, forte e, se nos permitirmos, ele nos fortalece.

Ele nos faz capaz de entender até mesmo que aquela história de amor, por mais que amemos, pode não ser mais a nossa história de amor. E aí, ele adormece, se guarda, se conforma. Mas ele nunca morre. Ele sempre estará lá, em forma de carinho, de respeito, de consideração ou até mesmo de raiva, de mágoas, de situações mal resolvidas, de curiosidade, de saudade.

E, por perceber isso, achei que jamais seria capaz de amor novamente, muito menos de ser amada. No entanto, o amor me mostrou que pode se delinear de tantas formas e que, a não ser que não nos permitamos, ele vai aflorar ao seu modo, no seu devido tempo e em sua devida forma.

Minha história é triste, dolorosa e toda vez que penso no Luciano, tento lembrar de sua vivacidade, de sua intensidade em cada momento. De como ele viveu cada coisa como se fosse a última. E isso me conforta, mas ainda me corroem as saudades e a dor da injustiça por sua morte trágica e precoce.

Mesmo assim, não me permito ser infeliz. Não tenho esse direito! Luciano escolheu me salvar, então tenho obrigação de fazer da minha vida o melhor que eu possa viver. Por mim, por ele, por nossa Gigi.

Foi por isso que me apaixonei de novo. Me casei de novo. Amei de novo.

Tive sorte de ter alguém como o Dressler, que entende que minha história de amor com o Luciano faz parte de minha história de vida e que seria injusto, imoral, ingrato demais apagar de mim a história que vivi com Luciano, especialmente depois dele dar a própria vida para me salvar da morte.

A vida é uma sucessão de chances e nós temos a escolha de dizer ‘sim’ a todo momento. A vida é uma escola que vai nos ensinar, ainda que à duras penas, que não adianta de nada criarmos milhões de regras, pois as coisas serão como tem que ser.

E sentimentos são coisas tão incríveis que podem se moldar a tudo, mas quem se permite, aprende com eles a se transformar, a transcender, a evoluir.

Se tem algo que percebi nesta vida é que existem milhares de formas de amar, de conduzir os amores e todas são certas, pois errado mesmo é quem perde tempo tentando dar regras ao amor alheio ao invés de viver o seu.

O amor nunca morre. Ele se transforma. Mais que isso: ele NOS transforma!

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Romântica, mas de um jeito nada romântico. Escrever é como construir uma colcha de retalhos: vou juntando pedaços de histórias, sentimentos e pensamentos meus, seus, de outras pessoas. E a cada vez que você me lê, me cita e me compartilha, enche meu coração de alegria e mostra para alguém um pouco mais de você, de mim e, claro, dela mesma. Amo escrever, mas amo mais ainda ser lida. ♥

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