Que se dane esse papo de mulher bem-resolvida

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Durante muito tempo me preocupei em parecer uma mulher bem-resolvida, achando que isso era algo bom, mas ao longo do tempo fui percebendo que é pura besteira.

5 anos atrás eu ainda achava que ser uma mulher bem-resolvida era algo bom.

Que eu precisava, a todo custo, esconder e inibir meus medos e inseguranças e demonstrar uma força descomunal para me recuperar das coisas.

Mais do que isso, eu vivia me cobrando loucamente ser sempre forte e detentora de todas as respostas da vida e tudo o mais e quando esse status fosse meramente ameaçado, eu prontamente reagia com discursos prontos, ora sobre como “pessoas inseguras eram isso ou aquilo”, ora com aquela coisa toda de “homem de verdade é isso e aquilo”.

bem-resolvida 03Com o passar dos anos fui me deixando ser “mal-resolvida” e percebi que não era crime algum me sentir insegura.

Pelo contrário, aceitar e encarar que muitas coisas me causavam insegurança me ajudou muito a entender a mim mesma e aprender a lidar com meus medos e, acima de tudo, encará-los, ao invés de camuflá-los em minha carcaça de “mulher bem-resolvida“.

A transição da mulher bem-resolvida para a mulher que é ok consigo mesma

Senti medo de começar a desbravar essa luta que, até então, não tinha recrutas nem aliadas?

Sim! Muito medo.

Fiquei insegura e titubeei várias vezes. Mesmo assim, encarei e assumi de uma vez por todas.

Me permiti falar disso abertamente, como no texto “Insegurança não é pecado”, por exemplo.

Também falei das minhas marcas e manchas no rosto, que são uma das coisas que mais me incomodam em minha aparência.

Foi aí que percebi que quanto mais eu necessitava ser uma mulher bem-resolvida, mais insegura eu ficava.

Ao mesmo tempo, quanto mais eu me deixava ser eu mesma e mesmo “mulher bem-resolvida“, melhor eu lidava com a minha insegurança.

Foi aí que eu rasguei de vez o véu da insegurança e, ao invés de fingir que não a possuía, aceitei que ela faz parte de mim, do que sou e de como eu devo lidar comigo mesma a cada situação.

bem-resolvidaO que muda no relacionamento quando deixamos de lado o mito da mulher bem-resolvida

Abandonar o mito da mulher bem-resolvida mudou também meu relacionamento.

A partir desse momento, me permiti sentir o que sentia, mas encarando de frente e com franqueza e transparência, passando a lidar com isso em parceria com meu marido.

Dali por diante, mostrar para ele o que me fazia sentir insegura tornou-se mais fácil através de meras conversas, ao invés daquelas cenas típicas de quando estamos nos sentindo assim, onde sofremos e acabamos perdendo a chance de nos comunicarmos assertivamente para buscar um equilíbrio e uma solução.

Hoje sei que ser uma mulher bem-resolvida, na verdade, é sentir tudo e se permitir sem quem somos, mas com consciência de que devemos encarar e lidar com isso de forma adequada, sem reprimir.

Tocando o f*da-se!

Então, f*da-se esse mito da mulher bem-resolvida que forçam situações e postam frases, tipo: “Mulher de verdade faz X ou Y”.

Não precisamos fazer nada para sermos mulheres de verdade. Nós apenas somos e pronto!

E como lidar com a insegurança?

Bem, a insegurança é algo comum ao ser humano.

E nós, mulheres, sabemos bem como ela é difícil de lidar, claro!

E tudo piora com essas cobranças para sermos a mulher bem-resolvida, a que sabe todas as respostas, a que não sente nada, a não ser que seja algo socialmente correto.

Em primeiro lugar, o ideal é aceitarmos que somos humanas, portanto temos sentimentos humanos.

Assim, ao nos depararmos com eles, pararmos de nos cobrar fingir que não existem e assumir que eles são parte de nós.

Em seguida, entender o que esta insegurança está tentando nos dizer e tentarmos lidar com as questões.

Outra dica é entender porque essa necessidade de se provar mulher bem-resolvida.

Para quem você quer provar ser uma mulher bem-resolvida?

Para você mesma? Para alguém? Por quê?

Depois de entender isso, fica mais fácil abandonar essa necessidade de ser uma mulher bem-resolvida e de entender os motivos que te levaram a dar tanta importância para isso.

E aí, finalmente você se encarará como é:

  • alguém com sentimentos e fraquezas, mas que é forte o suficiente para lidar com isso e com quem você, de fato, é.

Chega desse papo de mulher bem-resolvida!

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