Saber amar é sentir, sem tentar entender, nem explicar.

Estamos falando de amor. Então, por um minuto, esqueça o sexo e lembre-se de como era fácil amar quando era criança.

De como era apenas amar e pronto.

Dane-se qual o grau de parentesco, de como a pessoa era, de como ela andava, falava e se ela tinha defeitos.

Se ela não se encaixava em padrões ou se ela era mais retraída.

Se ela comia de boca aberta ou sabia usar 400 talheres numa só refeição.

Se ela sabia nadar, dirigir ou só sabia fazer miojo.

Tanto faz. Era só amar.

Apenas e tão somente sentir. Sem ter que explicar, muito menos entender ou filosofar.

Sem pensar nisso um só segundo. Só sentir, sentir, sentir.

E depois, crescemos. E desaprendemos.

Passamos a criar tantas regras para o “amar” que ele passa a ser tudo, menos sentir.

Vivemos sob inspeção. Tanto sob inspeção dos outros, como inspecionando o amor dos outros.

“Ah, se fulano cutuca o nariz, ele não te ama”. “Ah, esse sim te ama de verdade. Basta ver como ele sabe coçar o saco com a mão esquerda”.

 

E percebo isso quando alguém pergunta como a Gi encara essa coisa de amar o pai falecido como pai e também o padrasto como pai. Sem tirar um ou outro da cena.

E fico me retorcendo para explicar o que qualquer pessoa de bem acharia lindo, divino e natural, que é uma garotinha ser capaz de lidar com suas próprias dores, perdas e ganhos, sem ficar complicando, já que amar é apenas sentir.

E já que o amor transcende. E multiplica. E soma. E amplifica.

saber amarTambém percebo o mesmo quando me perguntam se ao amar o Dressler deixei de amar Luciano e respondo que não. Que amo ambos.

Os olhares de repulsa, reprova, como se eu fosse uma adultera, uma traidora.

Sendo que estou apenas amando. Estou apenas cultivando o mais nobre dos sentimentos, sem pensar nele, sem tentar entender nem explicar. Apenas sentindo e pronto.

Mas as pessoas cobram. Elas querem explicações. Elas acham que devemos isso a elas. Por mais que não tenham nada a ver com isso. Por mais que não sejam ninguém.

Elas querem, no fundo, uma explicação que as faça conformar com sua incapacidade amar como crianças, sem criar regras, conflitos, objeções.

Querem que sejamos o bode expiatório de suas frustrações amorosas, de suas incapacidades. Querem que sintamos culpa por cometer o pecado infantil de amar…

Saber amar é sentir, sem tentar entender, nem explicar.

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Romântica, mas de um jeito nada romântico. Escrever é como construir uma colcha de retalhos: vou juntando pedaços de histórias, sentimentos e pensamentos meus, seus, de outras pessoas. E a cada vez que você me lê, me cita e me compartilha, enche meu coração de alegria e mostra para alguém um pouco mais de você, de mim e, claro, dela mesma. Amo escrever, mas amo mais ainda ser lida. ♥

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