Não! Não, não e não. Por que uma palavra tão pequena, tão fácil de ser pronunciada, se torna um estorvo tão grande quando a gente não quer fazer algo, mas também não quer contrariar o outro? Por que tanto constrangimento em negar ao outro aquilo que não nos faz bem? Fomos educados, pela sociedade, para sorrir e dizer sempre sim?

dizer sim 01

Essas perguntas nos fazem refletir muito. Das pequenas as grandes coisas. No trabalho, nas amizades, nos relacionamentos amorosos, e até mesmo com completos desconhecidos. Estamos sempre correndo de um lado para o outro e somos sempre colocados em situações que não nos deixam confortáveis em negar.

Pela décima vez o colega de trabalho “esquece” a carteira na hora de pagar o cafezinho daquela reunião externa. “Paga para mim, depois a gente acerta?” Um não homérico se forma no pensamento. No rosto, um sorriso amarelo. “Claro, sem problemas.”

Aquele amigo super querido, manda uma mensagem: “Nossa, a balada x vai “bombar” hoje. Vamos?” No pensamento: “Eu odeio balada, claro que jamais irei.” Na mensagem de resposta: “Ah, sim, vou ver porque tenho um trabalho urgente da faculdade para entregar, mas ai qualquer coisa te falo.”

O namorado adora comida japonesa. Você adora comida nordestina. Você odeia comida crua, ele odeia comida muito temperada. “Amor, vamos no rodízio japa hoje?” No pensamento: “Argh, peixe cru, tô fora.” Na resposta: “Ah, pode ser, mas vai ser prejuízo, porque só como os grelhados e olhe lá.”

Dizer não pode ser entendido como total inflexibilidade. Vem daí o nosso costume de dar desculpas esfarrapadas, quando não queremos fazer algo, ao invés de usarmos da sinceridade. É errado? Não! É certo? Não! Será que ao usarmos um atalho para omitir nossas vontades não estamos prejudicando a nós mesmos? De que forma? O colega de trabalho do cafezinho passa a achar que pode qualquer coisa, que nunca ouvirá não. O amigo pode perceber a desculpa esfarrapada do trabalho da faculdade e julgá-lo como falso. O clima no restaurante japonês pode não ser dos melhores, porque não era ali que se queria estar, nem comer aquela comida e não ficar entendido qual o motivo real da insatisfação.

Com tudo isso entendemos que dizer não é quase uma arte. Requer aprendizado. Requer tempo. É preciso flexibilizar, sem se prejudicar. É preciso muita sinceridade.

 

Algumas pessoas aprendem depois de algum acontecimento importante ou marcante, outras aprendem depois do cansaço de sempre ter que “pisar em ovos” para não fazer aquilo que não quer e outras nunca aprendem, por mais que tentem. Tem a ver com personalidade. Tem a ver com comportamento. Tem a ver com história de vida. Enfim, tem a ver com inúmeras coisas que, às vezes, podemos nem imaginar.

E fica a reflexão: você está dizendo não quando é necessário? Quando foi a última vez que disse não e se sentiu muito bem? Quando foi a última vez que disse não e se sentiu desconfortável? É mais adepto das desculpas e dos atalhos? Acha que tudo isso é papo furado? Tem outra visão completamente diferente? A gente quer saber! Conte-nos!

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Uma apaixonada por comunicação, com o coração na ponta da língua e a alma na ponta dos dedos. Escrevo sobre a vida e nada me inspira mais do que as pessoas. Gosto de lidar com gente, com suas histórias e suas experiências!

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